Ferramentas para planejamento estratégico: Da estratégia à execução
Por João Oliveira • Leitura de 7 min • Dezembro 2025
Definir o plano de futuro de uma organização tem uma responsabilidade enorme e quase nunca se tem as respostas completas para as principais perguntas que definirão onde os recursos da companhia serão investidos.
Deixar escapar uma oportunidade, não acompanhar a evolução tecnológica ou negligenciar o comportamento do consumidor normalmente estão associados à falta de planejamento estratégico. Isso leva a resultados financeiros abaixo do estimado e, em casos mais graves, à perda irrecuperável de market share.
Por outro lado, a escolha equivocada da estratégia — seja por leitura errada dos movimentos de mercado ou investimentos em iniciativas com ROI ineficiente — tem o mesmo efeito devastador. Na minha visão, é até pior, pois gera um sentimento coletivo de fracasso, reduzindo a moral para reagir.
Isto quer dizer então que não há solução? Claro que há. Este artigo aborda formas e ferramentas para pensar sistemicamente a organização de um plano estratégico (PE) que contemple tanto a definição quanto a execução.
Lições do Mercado: Adaptação ou Irrelevância
Temos exemplos emblemáticos de sucesso e fracasso. A Kodak, apesar de inventar a câmera digital, não capturou a tendência de digitalização. A Blockbuster teve a chance de comprar a Netflix, mas falhou em identificar que o consumo migraria para o streaming devido à massificação da internet e à busca por comodidade.
No lado positivo, empresas centenárias como IBM, Coca-Cola e Gerdau mostram resultados sólidos porque souberam se adaptar, superando crises econômicas e tecnológicas. A própria Kodak tentou lançar sua máquina digital tardiamente, mas o momento já era irreversível.
Os motivadores de um PE podem ser internos (puxados) ou externos (empurrados). No caso da motivação externa, o risco de movimentação tardia é enorme. Por isso, o corpo executivo deve dedicar tempo a benchmark, estudos e eventos para antecipar movimentos e gerar motivadores internos de visão de futuro.
A Gestão Estratégica: O Sistema de 6 Etapas
Apesar da relevância, o PE é muitas vezes negligenciado porque a gestão executiva está imersa nas demandas operacionais. Empresas pequenas pagam o preço da estagnação; empresas grandes lidam com o risco de falência.
Superar os aspectos psicológicos da tomada de decisão é vital. Um PE bem estruturado é arma e escudo. Para usufruir de seus benefícios, devemos trabalhar com um sistema de Gestão Estratégica.
— Charles Darwin
Uma ótima estratégia sem excelência de execução está fadada ao fracasso, assim como a excelência operacional sem visão estratégica não sustenta o negócio. No livro A Execução Premium, Kaplan e Norton sugerem um sistema gerencial que integra estratégia e execução.
A responsabilidade se divide em níveis:
- Nível Estratégico (Executivo): Define Missão, Visão e Valores (MVV), realiza análises PESTEL, SWOT e Forças de Porter.
- Nível Tático (Gerencial): Traduz a estratégia em elementos operacionais, utilizando ferramentas como o BSC (Balanced Scorecard).
- Nível Operacional (Times): Executa com ferramentas de qualidade (Lean, Six Sigma, 5W2H) e gestão de pessoas.
— Sun Tzu (Atribuído)
Guia Prático: Ferramentas e Passos
Para consolidar o entendimento, organizamos as ferramentas mencionadas em dois grandes blocos de ação:
🔭 1. Desenvolvendo a Estratégia
- Realizar diagnóstico corporativo para visão do negócio.
- Revisar (ou criar) Missão, Visão e Valores (MVV).
- Análise de ambiente externo com PESTEL.
- Análise de competividade com SWOT e 5 Forças de Porter.
- Análise de portfólio de produtos com Matriz BCG.
- Priorizar desafios estratégicos com Matriz GUT.
- Definir a origem dos recursos para investimentos.
- Consolidar os Pilares Estratégicos (Metas e Objetivos).
🔨 2. Desenvolvendo a Execução
- Utilizar BSC para traduzir pilares em ações.
- Considerar OKR para objetivos de curto prazo.
- Criar rubrica contábil específica para investimentos.
- Revisar a governança para garantir aderência.
- Estabelecer ciclo de feedback (Execução alimenta Estratégia).
- Empoderar o time com autonomia e visão clara.
- Adotar abordagem Human-Centered (pessoas realizam o trabalho).
- Criar cadências de acompanhamento de indicadores.
Conclusão: Como está a gestão estratégica da sua organização? Reflita e anote os sentimentos que surgem. Se forem angústia e apreensão, é hora de revisar o PE. Se for alívio, mantenha a atenção e as rotinas de revisão. Este é um trabalho que sempre mira para o horizonte.
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A Execução Premium
Robert S. Kaplan & David P. Norton
A obra base sobre como vincular a estratégia às operações para obter vantagem competitiva.
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A Arte da Guerra
Sun Tzu
Clássico atemporal sobre estratégia, planejamento e adaptação a cenários adversos.
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