Estratégia & Gestão de Valor

Como gerir a entrega de valor das demandas?

Por João Oliveira • Leitura de 3 min • Dezembro 2025

Gerir demandas estratégicas que agregam valor ao negócio é, fundamentalmente, um exercício de alocação inteligente de capital e energia organizacional. Cada iniciativa aprovada representa uma aposta da liderança em um retorno futuro.

Nesse nível de atuação, a gestão não pode se limitar ao controle tático de prazos e custos. Ela precisa assumir o papel de guardiã do Benefício Esperado. É a disciplina de garantir que a justificativa de negócio permaneça válida e seja efetivamente alcançada.

Inspirados em princípios de governança corporativa focada em valor, sugerimos uma abordagem onde o sucesso é medido pela captura do benefício, e não apenas pelo encerramento da demanda. Para os decisores, isso envolve quatro diretrizes principais:

1. Defina o Benefício Estratégico antes da execução

A gestão orientada a valor inverte a lógica tradicional. Antes de discutir o escopo técnico ou a solução, a liderança deve estabelecer qual indicador de negócio essa demanda resolverá.

Seja o aumento de *market share*, a redução de risco operacional ou a eficiência financeira, o benefício deve estar explícito. Isso transforma a demanda de um "pedido de TI" para um "investimento de negócio", guiando todas as decisões subsequentes.

2. Distinga a "Entrega Técnica" do "Resultado de Negócio"

Para assegurar o retorno sobre o investimento (ROI), é crucial que os gestores compreendam a diferença entre o meio e o fim.

  • A Entrega (O Meio): É o ativo produzido (ex: a nova plataforma de CRM, a reestruturação do processo).
  • O Resultado (O Fim): É a mudança na performance organizacional gerada pelo uso dessa entrega (ex: o aumento de 10% na conversão de vendas).

O foco estratégico reconhece que a entrega, por si só, é apenas uma parte. O valor real reside na capacidade da organização de transformar essa entrega em resultado tangível.

3. Valide a Justificativa de Negócio continuamente

O mercado é dinâmico. Uma iniciativa estratégica aprovada no planejamento anual pode reduzir sua relevância meses depois devido a mudanças no cenário econômico.

Uma governança madura revisita periodicamente a viabilidade das demandas em andamento. Ter a firmeza estratégica de interromper investimentos que deixaram de prometer benefícios é tão importante quanto iniciar novos projetos. Isso protege o caixa e o foco da empresa.

4. Mensure o sucesso pela realização do Benefício

No final do ciclo, o sucesso da gestão não deve ser auditado apenas pela conformidade do processo, mas pela realização do benefício prometido.

Monitorar os indicadores de valor pós-implantação fecha o ciclo estratégico, gerando aprendizado para a organização e garantindo que o portfólio futuro seja cada vez mais assertivo e rentável.


Conclusão: Gerir demandas estratégicas é atuar na fronteira entre a necessidade de negócio e a realidade da execução. É garantir que todo esforço institucional esteja servindo ao crescimento e a sustentabilidade do negócio.

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