Governança & PMO

Como estruturar uma governança organizacional robusta?

Por João Oliveira • Leitura de 4 min • Dezembro 2025

Observamos que, à medida que as organizações amadurecem, surge a necessidade natural de estabelecer regras claras para a tomada de decisão. No entanto, é comum que diferentes "governanças" surjam de forma isolada em departamentos distintos, criando camadas de controle que nem sempre conversam entre si.

Uma governança robusta não se trata de criar burocracia, mas de estabelecer um sistema integrado de direção e controle. Para estruturar esse modelo de forma eficiente, recomendamos a integração de três pilares fundamentais, conectando a estratégia corporativa à execução tática:

1. Governança Corporativa: O Direcionamento

Este é o nível mais alto, responsável por definir a ética, a transparência e a equidade da organização (frequentemente associado ao ESG e ao Conselho/Board). Seu papel é garantir a sustentabilidade do negócio a longo prazo.

Para que seja efetiva, ela não pode ser apenas um documento estatutário. Ela deve fornecer os princípios que guiarão a priorização no portfólio. É aqui que se define o apetite a risco e os grandes objetivos que a Visão Sistêmica da empresa deve perseguir.

2. Governança de TI e Dados: A Habilitação

Em um mundo digital, a TI deixou de ser suporte para ser parte do negócio. Frameworks como COBIT e práticas de segurança da informação são essenciais para garantir que os investimentos em tecnologia estejam alinhados aos objetivos corporativos.

Uma governança de TI robusta assegura que a tecnologia entregue valor, gerencie riscos cibernéticos e mantenha a conformidade legal (LGPD/GDPR), servindo como a espinha dorsal que sustenta a operação e a inovação.

3. Governança de Portfólio e Valor: A Conexão

É neste ponto que conectamos os temas anteriores. Enquanto a Governança Corporativa diz "para onde vamos" e a de TI diz "com que ferramentas vamos", a Governança de Portfólio (PMO/VMO) garante a execução.

Uma estrutura robusta utiliza a governança para assegurar a Gestão de Valor. Ou seja, ela estabelece os rituais e indicadores para verificar se os projetos aprovados estão, de fato, entregando os benefícios prometidos e se estão alinhados com as diretrizes corporativas e tecnológicas.

4. Comitês e Papéis Claros: Integração Prática

A ineficiência ocorre quando essas governanças operam em silos. A robustez surge da integração. Recomendamos a criação de fóruns de decisão (Comitês Executivos) onde representantes do Corporativo, da TI e da Gestão de Demandas avaliam cenários em conjunto.

Definir claramente os direitos de decisão (quem aprova o quê) agiliza o fluxo e evita o "jogo de empurra". A governança deve ser o mecanismo que remove a ambiguidade, permitindo que a organização se mova com velocidade e segurança.


Conclusão: Estruturar uma governança organizacional robusta é criar um ecossistema onde TI, Negócio e Estratégia falam a mesma língua. É o alicerce que permite escalar a operação sem perder o controle sobre a entrega de valor.

Leia também

Literatura Recomendada

  • Governança de TI (IT Governance) Peter Weill & Jeanne Ross

    A referência mundial (MIT/Harvard) sobre como estruturar direitos de decisão e alinhar TI ao negócio.

  • Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa IBGC

    O guia fundamental para entender os princípios de transparência e equidade no contexto brasileiro.

  • COBIT 2019 Framework ISACA

    Essencial para aprofundar na governança de informações e tecnologia com foco em realização de benefícios e otimização de riscos.

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